Correspondence

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Assorted correspondence (by Chronological order, work in progress)

Please note that all selected correspondence is strictly personal and should not be reproduced without permission. In making them available, I endeavour to pay tribute to extraordinary times, to evoke remarkable personalities and to express my deepest gratitude for having earned their friendship.


João Morais Barbosa (1945-1991) foi assistente da Universidade de Lourenço Marques (1970-1973) e professor catedrático de Filosofia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa (1977-1991). Especialista em filosofia medieval, nomeadamente do pensamento de Álvaro Pais e Pedro Hispano. Inesquecível e saudoso mestre e amigo.

De João Morais Barbosa

Lisboa, 16.VIII.73

Meu prezado João Morais,

Correspondendo finalmente ao pedido que me fizeste, escrevo-te hoje para esse maravilhoso e já de algum modo saudoso Moçambique. É difícil compreender como, em menos de três anos, me fui deixando ficar por aí, em afecto, em emoções, em sentido de realização profissional. Mas é menos compreensível ainda a estranha ‘contradição’ de me sentir cada vez mais europeu —realidade vivida em cada passo e em cada momento. E ao respirar este ar que sinto meu, ao pisar este chão que com ele diálogo, em intimidade, como nenhum outro. Tu —bem, espero que hoje já não te choques com o tratamento por tu, nem vejas na unilateralidade do mesmo mais do que a natural confiança dum professor com o seu aluno—, tu talvez não entendas o que acabo de dizer-te, pois és um mocinho africano, vivendo a África e para ela voltado a plenos pulmões. Se tu tivesses nascido na Europa, meu caro João, e com ela te identificasses em corpo inteiro; se ao regressares, trazendo na tua bagagem o simples programa de umas curtas férias, fosses afinal surpreendido pelo chamamento telúrico que ela te gritaria aos ouvidos; se, ao comeres o seu pão de vinagre, conseguisses achá-lo doce; se …, E, apesar de tudo, talvez por tudo isso, eu amo a África em que tu nasceste, bem como estimo profundamente aqueles que, como tu e tantos outros, lhe dão razão de ser.

E é terminada esta meditação sobre o meu itinerário interior que, voltando-me para ti, gostaria de saber das tuas férias e da tua pessoa. Tu sabes da amizade que te dedico e do apreço em que te tenho. Aliás, virada a esquina do meu terceiro ano de docência, sinto-me realizado num ponto: o de ter conseguido transpor as minhas relações com os alunos para o nível do afecto, sem prejuízo do ‘respeito’ que evidentemente vos exijo. Tu talvez não compreendas o prazer que me dá, depois de conviver amigavelmente com um aluno, dentro do esquema que bem conheces, verificar que ele continua a pôr-se de pé para falar comigo. São pequenos pormenores indicadores de que a confiança dada aos alunos não provoca incêncios no mundo, como muitos pensam.

Gostaria de receber notícias tuas. Continuas preparado para o próximo ano lectivo? Infelizmente, não estarei em Lourenço Marques para ‘puxar por ti’.

E é tudo. Peço-te que recebas um abraço e o testemunho da muita amizade do teu professor

João Morais Barbosa


Lisboa, 6.IX.74

Meu caro João:

Encontrado um intervalo na redacção da minha tese de doutoramento, aproveito para te escrever. Cheguei de Roma em meados de Julho e, com alguns saltos a outros pontos do País, por aqui me tenho mantido em ritmo acelerado de trabalho. Tenho a redacção da tese bastante adiantada, esperando defendê-la no próximo ano. Entretanto, sou o único assistente de História que não pediu a demissão em Lourenço Marques…

Em Roma, como calcularás, andei a nadar, por falta de informações concretas sobre o que se passava em Portugal. Ao chegar a Lisboa, a primeira reacção foi de choque profundo. Desejei, durante anos, a queda do regime totalitário que nos oprimiu. Entrar num País renovado, já com três meses de experiência —ou de inexperiência? —do processo democrático, constitui sensação por demais estranha para ser contada em duas folhas de papel.

Dizer-te tudo o que penso e sinto, a propósito do que presentemente sucede no noss País é tarefa impossível. Tentei fazê-lo, ao escrever a várias pessoas, e tive de rasgar as cartas; eram sempre insuficientes. Um dia quando de novo nos encontrarmos, poderemos conversar.

Soube notícias tuas pelo Doutor Moreno, com quem estive há poucas semanas.

Entretanto e como te disse, lancei-me na fase de redacção da tese. O doutoramento é sempre uma carta importante lançada na mesa da carreira universitária. Mas confesso-te que vou jogar apenas por dois motivos: porque amo a investigação e porque, chegado a este ponto, não convém desistir. Tenho-me perguntado frequentemente se terei, de facto, vocação para professor. É uma interrogação vital, não uma questão epidérmica. Sabes bem, por experiência própria, que sempre considerei a vida de um docente como um tipo especial de contacto humano. Claro que esse contacto se faz com pessoas que, super-estruturalmente, são alunos. Mas, para mim, um aluno é uma pessoa; dou-me com pessoas que também são alunos, embora o que me prenda nesse contacto seja a pessoa, não o aluno. Espero que compreendas. Ora foi precisamente aí que eu falhei. Talvez seja um engano, talvez não tenha falhado. Mas ao meditar sobre a minha experiência anterior, não tenho a certeza do meu sucesso. Dava boas aulas, investigava bem, amava profundamente os meus alunos. Faltou qualquer coisa neste esquema. Disso não tenho culpa, embora seja responsável —passe o aparente paradoxo.

Depois, e paralelamente ao que acabo de te dizer, comecei a sentir a vossa falta. Não foste só tu que deixou de me escrever, de responder às minhas cartas. Foram todos, ou quase. Está aí a melhor forma de que falhei. Quando um dia voltar a sentar-me diante dum Curso, terei de contentar-me em dar boas aulas. Aí sei que sou competente. Serei admirado, não estimado. Valerá a pena?

Um abraço amigo do

João Barbosa


Lisboa, 3.II.75

Meu caro João:

Recebi há muito tempo a tua carta e o teu postal de Natal. Não vou desculpar-me da demora em responder-te. Pensei muito, aliás, sobre se valeria a pena fazê-lo. Não sei se hei-de tomar a sério o que me dizes, se to deverei atribuir como ao teu gosto de escrever belas frases em que não acreditas. Foste, meu caro João, um dos alunos que mais estimei na minha curta vida de professor. Sabe-lo bem, não precisas de testemunhas a garanti-lo. Como não confessar-te então, o meu desgosto, ao ver que sempre te ocultaste atrás de uma carapaça, recusando a intimidade que contigo pretendi estabelecer? Escrevi-te de Itália, em momento difícil, quando punha em causa a minha profissão e as normas que até aí norteava a minha vida: a tua resposta foi um silêncio de meses. Só achaste por bem responder-me quando eu já havia tomado a decisão de romper com a Universidade de Lourenço Marques. Dizes-me agora meu amigo, mas nada me dizes de verdadeiramente teu: nem me falas de que casaste, notícia que soube por outras pessoas a quem o comunicaste, pessoas que talvez não te hajam dedicado nunca a amizade que pretendi oferecer-te. Não está na minha intenção lamentar-me dessas ‘pequenas coisas’. Só que não abdico do imenso afecto com que estruturalmente foi constituído; essas tais ‘pequenas coisas’ significam muito para mim, mentiria portanto se as ocultasse.

Quando fui para Itália, julguei deixar em Moçambique, entre os alunos, um pequeno lote de bons amigos. Contava-te entre eles, João. Digo-te com saudades, porque de saudade do que já não é, e esperança do que poderá um dia vir a ser, se compõe a minha vida. Em Roma me convenci do meu engano. Falei muito de vocês aos meus amigos italianos. Contei-lhes que, em Lourenço Marques, me não limitava a dar aulas, que os alunos eram meus amigos, iam visitar-me, ouvir música comigo, que me contavam os seus problemas, que até algumas vezes me tinham amparado nos meus. Meses volvidos, tive de convercer-me de que tudo for a uma quimera inventada por mim. À excepção de dois rapazes de L.M., nenhum me escrevia. Mesmo profissionalmente, talvez não fosse tão bom como pensava: aqueles mesmos que me bajulavam, que diziam ser eu um bom professor, afirmavam então nas minhas costas que ‘o Dr Soveral era o único professor de História com autêntica estrutura universitária’.

Foi então que voltei a escrever-te, contando-te o que já sabes. Esperava de ti ajuda, porque não dizer a palavra exacta, era mesmo ajuda que te pedia. Quando vi que não me respondias, que ninguém me respondia, quando me convenci de que tinha falhado, a decisão só podia ser a que tomei: nunca mais voltar a Lourenço Marques. Regressar seria enganar-me a mim próprio, equivaleria a acreditar de novo numa vida em comum com os meus alunos, um vida não só feita de aulas, sebentas e exames, mas também de afecto e amizade. Acredita, meu caro João, uma só visita das que tu me fazias em casa, uma só carta que outro me escrevesse, valia para mim muito mais do que um ano de boas aulas. Mas porque acreditei que tu e os outros o faziam por amizade inteira?

Resolveste, na última carta, começar a tratar-me por tu. Tem piada que, antes de abrir o envelope, já suspeitava de que o tinhas feito (palavra de honra que assim sucedeu, e não sou bruxo). Eu sabia, desde o primeiro momento em que te conheci, que não gostavas que eu te tratasse por tu. Nunca fiz grande caso da tua irritação, pois sabia que um dia compreenderias que não pretendia humilhar-te, que não estavam em causa as tais ‘regras do jogo’ de que falas. Sempre vos dei o ‘tu’, a todos vocês, pois me parecia ridículo tratar doutra maneira rapazes de 18 ou 20 anos. Tu foste o único que se chocou. E o facto de agora me retribuíres do mesmo modo só vem prová-lo… Até porque os que nunca se importaram continuam a tratar-me por você… e não se sentem humilhados nem feridos na sua dignidade humana. Enfim, João, trata-me como quiseres, embora eu sinta o teu ‘tu’ como pouco natural e nada sincero.

Ao fim de tudo o que acabo de dizer-te, suspeito que já terás decidido nunca mais me escrever. Mas não podia deixar de ser sincero contigo. Afirmaste que eu te conheço melhor do que tu a mim. É verdade, João: quatro anos de psicanálise ensinaram-me a entrar facilmente na intimidade alheia, a interpretar os gestos mais subtis e as palavras mais mascaradas dos outros. Cada atitude tua, quando estive contigo em Lourenço Marques, mesmo quando dizias coisas aparentemente sem importância, serviu-me para te conhecer. E por isso te estimei.

Entretanto, sou assistente na Universidade Nova de Lisboa. Faltam-me três capítulos para terminar a tese. Neste momento, ainda não tenho alunos, pois estamos a preparar-nos para os receber daqui a dois anos.

Despeço-me de ti com saudade. Suspeito bem que nunca mais me escreverás, pois devo ter-te magoado. Seria curial terminar assim: ‘se me enganei no que disse, desculpa’. Não, João, não me enganei. E, por paradoxal que te pareça, continuo teu amigo. Abraça-te afectuosamente o

João Barbosa


Lisboa, 29.IX.75

Meu caro João:

Então como vais? Como te sentes nesse teu novo Moçambique? Embora te possa custar a crer, tenho pensado algumas vezes em voltar para aí. E não se trata de haver falhado a minha vida em Lisboa, nada disso. Não estou desempregado, como muitos dos que vieram de Lourenço Marques, e continuo na minha vida de que gosto, a universitária. Só que aí, apesar de tudo, me realizei menos mal, até porque tinha alunos —o que, por enquanto, não sucede na minha Universidade em formação. Além disso, nunca conheci Moçambique. Estive aí três anos para quase nada. Depois, quem conheço eu aí, além de ti, do Guerreiro, do Jorge Pais?

Perceberás talvez nas minhas palavras um certo desgosto por Lisboa. De facto, João. Ainda não consegui redescobrir a minha cidade. Para amarmos qualquer coisa, temos de a recriar em nós, de a formar a partir do barro do nosso sonho. Lisboa ainda não está recriada por mim, embora eu leve agora uma vida muito mais ’integrada’, mesmo politicamente. Em Lourenço Marques eu era um homem ’da oposição’. De qualquer modo, tinha uma preparação política ridícula. Cheguei mesmo a dizer-te um dia, no meu gabinete, que não era democrata, somente por nem mesmo saber o que era democracia…

E o meu amigo João Morais, tens estado com ele?... Se o vires, pede-lhe que se lembre de mim.

João Barbosa


Revil Mason (1929-2020), Professor at Wits University, founding director of the Archaeological Research Unit in 1976, until his retirement in 1989. he excavated numerous Palaeolithic sites dating back to c. 2.6 million years, as well as Rock Art and farming and herder sites which he actively used to invalidate the Apartheid myth of the “empty land”. Revil was enthusiastically supportive of early archaeological research in Mozambique offering me (and Ricardo T. Duarte) scientific guidance and hosting us at Wits in 1975, visiting us in Maputo the year after. Choosing Oxford over Wits for my postgraduate studies was compelled by the political and military confrontation between South-Africa and Mozambique during the Mozambican civil war (1977-1992). Revil was a warm-hearted and unconventional soul, a pathfinder who built his own house, pioneered the use of statistics in archaeology, recreated archaeological tools for experiments and cycled or walked alone through vast continental regions of Asia and the Americas. V. obituary at https://www.stjohnscollege.co.za/news/2020/revil-john-mason-1929-2020 and scientific activities review at https://www.lucilledavie.co.za/post/2009/11/19/revil-mason-s-melville-koppies

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Photo: Prof Revil Mason with co-workers at Broederstroom, a valuable mentor to Ricardo T. Duarte and myself during working visits to Wits. https://theconversation.com/pioneering-archaeologist-revil-mason-leaves-an-immeasurable-legacy-145343

To follow ...


Paul J.J. Sinclair (1949- 2023): Curator at Great Zimbabwe (1975-77), Researcher at the Department of Archaeology and Anthropology, Eduardo Mondlane University (1977-1980), Professor at the Dept. of Archaeology and Ancient History ('Africa and Comparative Archaeology'), University of Uppsala (1997-2016). Our paths merged for decades of everlasting companionship, and I own him for guiding me for doctoral supervision to Ray Inskeep at Oxford. You may further check my blog-entry following Paul's passing at https://joaodemorais.com/paul-j-j-sinclair-1949-2023

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Photo of Paul Sinclair (background), Ricardo Teixeira Duarte (foreground, seated) and myself, taken in 1978 at Manyikeni Zimbabwe, Moçambique.

Letter to Paul Sinclair (Curator Great Zimbabwe Ruins, Rhodesia)

Maputo, 2 May 1976

Dear Paul,

There’s a unique opportunity to write you a personal letter to be delivered personally, an opportunity I do not want to miss. Several months have gone by since I’ve wrote you last, without an answer (it may have gone astray?), and I hope that all is well with you. I presume however - under the present political circumstances- you must be facing considerable difficulties, hence writing you now.

Our work is progressing slowly but positively. Preliminary research results are coming in now, particularly for southern Moçambique. The Matola site, excavated by Teresa [Cruz e Silva] has provided a good indication of the Early Iron Age pottery tradition, clearly resembling the one from Silver Leaves in Transvaal and the Kwale and Nkope traditions up North. [João Senna] Martinez is still surveying sites located along the southern coast but unfortunately unable to properly excavate them. Ricardo [Teixeira Duarte] and Maria da Luz [Prata Dias] are expecting a baby while getting ready to move residence to northern Moçambique where they will oversee the expansion of the Nampula and Moçambique Island museums, something they very much wished to do. Speaking of myself, following the disappointment of seeing Peter Garlake receiving a research permit for the site I had planned to excavate, I have been spending my time reviewing bibliography and helping to build the infrastructure and taking charge in setting-up of our new Archaeology Section. I’ve also been part of a ‘building capacity’ initiative held in the Alto Molócué for Frelimo Governors and high-ranking officers, as well as re-organisation work ‘at home’ in the UEM and the IICM. In this regard, a new research unit has been recently created: the Center for African Studies (CEA), led by Aquino de Bragança, an old Frelimo ‘ambassador’ who worked many years for the ‘Afrique-Asie’ magazine in Paris. The new centre will integrate Prehistory and Archaeology (meaning ourselves), Anthropology (tentatively, hoping that in time we will be able to integrate under our Unit), Colonial History and Southern Africa Political Affairs. It’s becoming clear however that we must fight hard to have archaeology recognised as a research priority deserving academic dignity, since we see it being increasingly pushed into standing against totalitarian forces singling out marxist-oriented disciplines of a more ‘pragmatic’ nature…

[…page 2 of the manuscript - kindly made available by Amelie Berger, Paul's wife - is lost]

[...] It's my dream to do the same and it’s a pity that much is going too slowly for us to start close cooperation, as you and I have discussed when we last met in Cape Town. If you cannot do that now while in Zimbabwe, I want you to know that we may be able to welcome you here as I have mentioned in earlier correspondence. I’ve raised this matter with UEM’s Rector Dr Fernando Ganhão and it should make it easier if you're able to obtain an endorsement from the Zimbabwe ANC in order for me to handle matters at this end. I am aware that affiliated or trusted ANC members may get such a document from their London office. Will you perhaps be able to follow up on this issue via Prof. Revil Mason’s department at Wits since we cannot correspond directly? I very much look forward to hearing from you.

I would also be grateful if you could, if possible, send us a copy of the book ‘Ancient Mining in Rhodesia’ as well as all related documentation you may get hold of from Arnoldia or Nada (the Southern Rhodesia Native Affairs Magazine). It is clearly impossible to get anything out of Zimbabwe now, namely sending you money for you to buy me those materials.

Our people here send you warmest regards,

Very best regards, friendship and good wishes, yours ever

João

PS: Fyi, all foreign academics are presently allowed to transfer 25% of their salary (salary wages are c.500 Rhodesian dollars) to their country of origin.


Prof. Gaspar Soares de Carvalho (1920-2016), an outstanding scientist and mentor: Chief geologist of the Geologic Maps Division of the Geology and Mines Service of Angola in 1954–58, Guiné-Bissau (1959) and India-Goa (1960). In Mozambique he directed the Earth Sciences Department (1970–75) and the Archaeology Unit (1974-75) at Institute of Scientific Research (IICM) where later he became director (1975–76). His professorial career span from the University of Coimbra (1944–54), University of Porto (1961-70), and University of Minho (1976–90). After his retirement in 1990, he founded EUROCOAST Portugal (being also vice-president of the International EUROCOAST Federation) and the Portuguese Association for Quaternary Studies (APEQ).

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Photo: reproduced from Helena Granja, 'In Memoriam Prof. Gaspar Soares de Carvalho', Journal of Coastal Research, 33 (5), 1242, Coastal Education and Research Foundation 2017, URL: https://doi.org/10.2112/JCOASTRES-D-17A-00004.1

Reference letter sent on my behalf to IGBP by Prof. Gaspar Soares de Carvalho

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António Rita-Ferreira (1922-2014), a memorable colleague and friend, lived in Mozambique for more than five decades, where he completed his secondary studies, followed by a certificate in Bantu Studies at the University of Pretoria, South Africa. In 1942, at the age of 19, he joined the colonial administration in the district of Mongicual (Nampula, Mozambique). Through his lengthy and attentive functions he knew Mozambique in depth becoming a prominent anthropologist. Shortly after independence (1975-1977) he was appointed visiting professor of Pre-Colonial History at Eduardo Mondlane University. In 1983-1988 he actively contributed, on behalf of the Historical Archive of Mozambique, for the Microfilming Documentation Project of Portuguese historical records concerning the Eastern African region. António Rita-Ferreira was the recipient of three awards by the Academy of Sciences of Lisbon for his extensive and pioneering work. Additional biography in Portuguese is available at https://www.antoniorita-ferreira.com/pt/biografia

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Photo: https://actd.iict.pt/view/actd:MOARF

RitaFerreira_1.pdf
RitaFerreira_2.pdf
RitaFerreira_Set1996_1.pdf
RitaFerreira_Set1996_2.pdf
RitaFerreira_Set1996_3.pdf
RitaFerreira_2012.pdf

Letter dated September 2012 sent together with a copy of his book "Colectânea de Documentos, Notas Soltas e Ensaios Inéditos para a História de Moçambique", May 2012 (Edição do Autor) , following project funding support from Swedish SIDA (1983-1988).


Padre Ezequiel Pedro Gwembe, S.J. (1941-2016): we first met in 1979 at the University of Oxford which we were both attending, Ezequiel enrolled in postgraduate studies on African Anthropology. Our friendship evolved from there, notably with the development of his 'Initiation Rites' project in Mozambique, which I helped with funding procurement.

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Citation: Facebook entry from the Jesuits Zimbabwe of 7 November 2016

Gwembe_InitiationRetreats_1.pdf
Gwembe_InitiationRetreats_2.pdf

Initiation Retreats Project proposal, Maputo June 1992

To_Gwembe_2Maio1994.pdf

De Ezequiel Pedro Gwembe,

Padres Jesuítas, C.P.1233, Beira

Beira 3/4/1997

Caríssimo João,

Muito obrigado pelos votos de Natal e Ano Novo. Embora não consiga responder imediatamente, contudo estive à espera do habitual cartão, digo postal-foto que muito fielmente me tendes mandado como família. Estive mesmo à espera. E chegou.

Acabo de escrever também à tua sogra, dando conta das minhas actividades. A Miesenberger é uma mulher de coração grande. Tornou-se uma grande amiga.

Continuo a lutar para que ‘Rumo Novo’ melhore e ganhe estabilidade. Este ano fiz vários pedidos nesse sentido a certos doadores. Muitos acham que está de facto a melhorar. No entanto há muitas dificuldades a ultrapassar: falta de escritório, falta de pessoal, falta de transporte, torna as coisas bastanted difíceis. Mas sabes que sou lutador. Às vezes sinto que nasci para situações difíceis. E como não me poupo a sacrifícios, depois a saúde sofre.

Este ano estou a pensar em ter férias em Portugal uns 3 meses, lá para Julho / Setembro. Preciso delas. Se for possível aproveito para uma operação naquele meu quisto na nuca. Não sei se te lembras.

Quanto aos Retiros de Iniciação dei uma panorama da situação bastante grande à tua sogra. É possível que ela partilhe contigo.

Tenho sido bastante convidado pela Igreja na África do Sul. Desde 1993 que anualmente lá vou. Às vezes vou 2 vezes (1994 e 95). Este ano também vou lá para 22 deste mês por umas duas Semanas. Trata-se de lhes falar sobre fé e cultura ou o problema da Inculturação. Depois fico 1 semana a descansar um pouco.

Quanto `minha saúde este ano estive melhor que o ano passado. De facto o mês de Dezembro a Fevereiro são os meses mais duros. Todos os meus trabalhos concentram-se no ‘Rumo Novo’, Retiros de Iniciação, Semana Teológica, meu Retiro Anual. É natural que depois disso vá a baixo: tensão alta e cansaço. Mas também creio que com o tempo vou ganhar o ritmo e as coisas vão-se tornar mais suaves.

Gostei do teu telefonema o ano passado que felizmente me apanhou de surpresa, digo, estando em casa. Foi bom ouvir-te. O que não gostei foi a impressão que tive. Senti-te um tanto ou quanto preocupado com o ritmo de trabalho que tens. De facto o teu ritmo de trabalho pode influir nas vossas relações conjugais. Não gostaria que te acontecesse um Segundo divórcio. E nada é definitivo neste mundo. É preciso encontrar mecanismos de defesa. Encontrar um tempo sagrado para os dois que devia ser respeitosamente guardado é um primeiro passo. Depois o diálogo é o 2° passo. É necessário dialogar, conversar de tudo e de nada, partilhar as alegrias e as tristezas, as preocupações, as amizades, partilhá-las regularmente. Tanto tu como a Katarina pode empolgar pela própria actividade. E naturalmente isto tem influência sobra o vosso relacionamento. Que o vosso relacionamento físico não seja uma rotina. E não é difícil isto acontecer. O amor é um fogo que precisa ser sempre alimentado.

Voltando ao ‘Rumo Novo’, tu mostraste o desejo de ajudar com os correios. Dada a situação que vive a ‘Rumo Novo’ será muito bem-vindo o gesto deixando ao teu critério e discrição.

Saúda-me a Kat e os miúdos,

Para ti um, grande abraço

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